Embriaguez


 

 

 

Contemplei o absinto que me servistes. O líquido verde captou minha atenção desde o primeiro momento.
Adorarás, falastes-me com tua deliciosa voz grave.
Deleite.
O líquido verde, a voz, teus movimentos. Não precisava de nada além de teu perfume para embriagar-me daquele modo. Misterioso homem que atormenta meus pensamentos.
Brancos fios. Não entendia o poder que possuíam sobre si. Fascinantes movimentos.Dedos longos, finos. Olhos castanhos e frios a fitavam. Seu corpo estava embriagado.
Dona de tantas palavras, tantas frases... Estás muda agora. Apenas ouvia a voz, as palavras, não compreendia. O que havia naquela bebida? Fascinava-se por cada sílaba, cada movimento labial. Mesmo incapaz de compreende-las, as palavras ditas em sua língua materna.
A força do olhar. Contemplava a taça. O líquido verde quase intocado. Não sabia como falar. Esquecera-se. Dentro da biblioteca dele, esquecera-se. Quem era, o que ali fazia. Sobrenatural fascínio. Mal sentia suas pernas...
Ouve uma batida na porta. O mais jovem, impaciente.. Quer saber, a que horas o jantar estaria pronto...
Compreendo as palavras dele. A mística é quebrada por sua voz impaciente e seus trejeitos nervosos. Porém, a voz dele, possui controle sobre mim. Entretinha uma convidada. Aquele não era momento das crianças interromperem a seus ascendentes... Jantares são servidos quando devem, e não na hora em que são impostos. E sorriu.
Fechei meus olhos. Foram segundos. Não foram?
Sonho? Desdenho a possibilidade. Era ilógico. Tudo sonho?
Ouço som em minha janela.
Apenas o vento...
Sonho, apenas...

0 Crítica(s):

Postar um comentário