Uivavas para lua aquela noite. A tudo observei de longe e chorei. O destino é tão inevitável assim? Das artes negras pouco compreendo. Da cor de teus pelos também. Há sangue ali. Queria limpá-lo. Entretanto, não posso.
Todos desejamos algo que não podemos ter.
E este desejo de vingança, quando se esvai?
E este uivo dolorido, quando parará de representar o que sentes?
E deste mundo pouco compreendemos.
Das artes brancas que me apossei, nenhum uso fiz. A foice não nos foi dada de presente. Impossível de manipular ao redor. Quando as correntes pesadas que te aprisionam serão quebradas? Se das artes negras fosse mestra, elas não mais existiriam.
Deste mundo de restos, porque o pouco nos satisfaz?
O uivo dolorido à lua. A apatia. Deixas-me dormir em teu pelo esta noite? Os olhos que brilham. Tal como Bast, quando o sangue de Thot parará de ser-te agradável? Assim como é para mim…
Do sangue inimigo não nos alimentamos. E o líquido de Thot é um alimento a mais nas noites sem lua. O mundo é feito de vermelho. Deveríamos saber disto. Por que não compreendemos esta lição?
Tens garras afiadas, porque as escondes? Mostre-as. As correntes se quebrarão, prometo. Sei que nada posso prometer… Perdoe-me pela audácia de querer dizer que farei algo que talvez não se mostre possível no futuro… Temo pelo que não é possível no futuro.
Posso deitar-me aqui mais um momento? Quebro abraçar teus pelos mais um momento. Estou com frio. Aqui é quente…
E esquecer um pouco mais, das artes, da noite, da lua, do sangue de Thot, das correntes tuas e minhas. Apenas me concentrar um pouco mais no bater de teu coração. Apenas um pouco mais… Tenho medo das coisas que não podem durar para sempre… Então, compreenda se eu quiser vive-las com intensidade enquanto existem.
Imagem: Uma representação de Fenris.




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