Do destino poucos fogem, disseram-me. Perguntei-lhe porque fugir. Um sorriso conformado tomou-lhes a face. Apenas mais uma pergunta sem resposta ou nexo. Qual o impulso racional para do inevitável fugir? Nenhum, creio eu.
E de meu caminho, quem toma conta? Quem o escreve? Minha propriedade não o é? Sorriram-me e negaram-me outra resposta. Pergunto demais. Questionar não é permitido. Siga seu reto caminho. Apenas acompanhe as imagens desenhadas previamente por outro.
Por quê? Para ter um destino, disseram-me. Siga-o. Tal tom não serviu-me. Não creio em tais coisas. É difícil colocar um pé pós o outro a cada dia. Complexo. Exige força. Resistência. Por isto é mais fácil caminhar por onde vêem-se imaginários desenhos. Atribuir a medida de força a outrém, como se responsabilidade por este tais seres tivessem.
Ademais, a quem pertenço eu? Destino? Apenas outra negra nuvem para pairar sobre mim. Disseram, nem tudo serve para dissecação. E meu olhar voltou-se para os móveis de cor pesada. Mogno. Vermelho. Como as marcas que aconselham-me para seguir. Negros vultos que não me servem mais. Atmosfera que lembra o coro que nunca responde-me da forma que espero.
Respostas são feitas para serem buscadas, não obtidas. Faz parte da caçada, alguém querido diz-me. Coisas prontas não servem. Uma construção para respostas serve apenas para criar caminhos fechados onde há campo aberto. É o fácil. Apenas isto. Atribuir forma, carne a algo para eximir-se do peso de si mesmo. Do peso de seus passos. E eles olham para o chão. E formam coros. Para que outros além de si vejam caminhos, não campos abertos.
Imagens: Andrew Jones
