Passos

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Do destino poucos fogem, disseram-me. Perguntei-lhe porque fugir. Um sorriso conformado tomou-lhes a face. Apenas mais uma pergunta sem resposta ou nexo. Qual o impulso racional para do inevitável fugir? Nenhum, creio eu.
E de meu caminho, quem toma conta? Quem o escreve? Minha propriedade não o é? Sorriram-me e negaram-me outra resposta. Pergunto demais. Questionar não é permitido. Siga seu reto caminho. Apenas acompanhe as imagens desenhadas previamente por outro.
Por quê? Para ter um destino, disseram-me. Siga-o. Tal tom não serviu-me. Não creio em tais coisas. É difícil colocar um pé pós o outro a cada dia. Complexo. Exige força. Resistência. Por isto é mais fácil caminhar por onde vêem-se imaginários desenhos. Atribuir a medida de força a outrém, como se responsabilidade por este tais seres  tivessem. 4
Ademais, a quem pertenço eu? Destino? Apenas outra negra nuvem para pairar sobre mim. Disseram, nem tudo serve para dissecação. E meu olhar voltou-se para os móveis de cor pesada. Mogno. Vermelho. Como as marcas que aconselham-me para seguir. Negros vultos que não me servem mais. Atmosfera que lembra o coro que nunca responde-me da forma que espero.
Respostas são feitas para serem buscadas, não obtidas. Faz parte da caçada, alguém querido diz-me. Coisas prontas não servem. Uma construção para respostas serve apenas para criar caminhos fechados onde há campo aberto. É o fácil. Apenas isto. Atribuir forma, carne a algo para eximir-se do peso de si mesmo. Do peso de seus passos. E eles olham para o chão. E formam coros. Para que outros além de si vejam caminhos, não campos abertos.

 

Imagens: Andrew Jones

Categorias

 

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Uma pratelheira com fim determinado. Utilidade perfeitamente demarcada. Espaços separados por pequenos muros mentais. Fortes o suficiente para que nada de novo passe de um lado para outro. Ainda assim, pequenos tremores querem a tudo desestabilizar. Criar rachaduras nas barreiras...
As categorizações pouca importância possuem. O pedido que a memória faz.
O perfume da casa  de quem não mais existe. Catalogado. Ilusão mental que procura o alívio. Objetos pessoais plastificados, que mantém-se prontos, à espera do uso do proprietário. As expectativas tem pratelheiras próprias, devidamente separadas das perspectivas reais. Os tremores tentam criar rachaduras..
Devidamente plastificados. Solução não pode encontrar seu soluto. O existir depende de um equilibrio delicado. Os tremores!contemplation10
Categorizar para proteger... A memória pede. O eu quer as nuvens. Lugares definidos, momentos bem delineados. Caixinhas dependuradas na parede, a qual o eu contempla. Almejando, as separações manterão a unidade.
Os tremores, entretanto, não páram. Uma hora, as pratelheiras caem. Soluto e solvente misturam-se. As categorizações de nada adiantam. Em vão. Nada é protegido. A memória tão dependente das categorizações, finda influenciável pela quantidade de soluto e solvente... Volúvel como todo o resto.

Controle de danos.. Reconstrução. Novas pratelheiras. Novos materiais. Categorias mais fortes. Prontas de fábrica. O intuito, permanece. De um lado, expectativas. Esperam sua dissolução...
Os tremores jamais páram.

 

 

 

 

 

 

Imagens: Parte da série Contemplation de David Ho

Quatro. Um, na verdade.

 

Há quatro anos atrás, no dia 29 de fevereiro…

Eu criei este blog. Com o intuito de colocar nele textos que ficavam presos em um diário qualquer…

Que não era diário. Nunca havia sido diário. Que sequer fora feito para ser diário. Eram agendas. Uma vez por noite, eu sentava, escrevia uma ou duas páginas.. E fechava. Ninguém nunca mais lia aqueles textos. A não ser, é claro, eu. Aliás, eu preferia que ninguém lesse. Não por vergonha. Mas devido às consequencias… Melhor não comentar a respeito.

Eu sempre fui consciente que escrevia muito mal. Minha mãe sempre dizia: eu não entendo bulhufas do que tu escreves! Minha maior surpresa foi quando dois professores meus me disseram que eu escrevia bem (carrego isso comigo até hoje, eu só não digo os nomes porque não sei se eles aprovariam ser citados por aqui… )

Enfim, eu pensei comigo mesma… Porque não um blog? Se for para fazer isso, que seja hoje! 29 de fevereiro! E eu fui lá, escolhi uma imagem da Annie Bertram (www.darkview.de), cheguei a mandar até email para ela pedindo permissão de uso da imagem, ela nunca respondeu. Depois, empaquei no nome.. Sempre fui péssima com eles. Tanto que meus personagens raramente ganham um nome (ou gênero). Eu só não conto a história do nome do blog porque senão tiraria a graça. Sei que tem leitor que tem uma série de teorias sobre o nome. Já ouvi algumas. Todas muito mais legais que a verdadeira. Então prefiro deixar assim.

O primeiro fundo do blog era negro. As letras eram brancas ou cinzentas. E eu postava ao menos um texto por noite. Inicialmente, não utilizava de tags. Até que os textos foram tantos, mas tantos que era melhor separá-los por assunto. E foi o que fiz. Passei uma madrugada arrumando os mais de cem textos da época.

Quando o blog fez dois anos, o Adriano Gantes, amigo meu, me deu este layout lindo de presente. Ele fez tudo. Ele sabia que eu admirava a Bettie Page e a colocou no layout. Também sabia que eu queria deixar o blog em preto,  branco e vermelho. E o resto foi tudo criatividade dele na hora de montar. Desde então, não mexi mais no blog.

Infelizmente, o número de postagens diminuiu muito. E eu até peço desculpas para quem acompanha o blog. A vida se tornou mais complicada do que o de costume de uns tempos para cá. E eu não tenho conseguido escrever. Não por falta de tempo…

Quatro anos! Nem eu imaginava!

Agradeço a quem tem paciência de ler os textos, acompanhar o blog, assinar o feed. Se não fosse vocês, eu já teria parado de publicar há horas.

 

Obrigada,

Setsuna.

Tornado

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Today, I woke up in a world without you. For the first time… A world without your voice. A world without your touch. How could this be? A world without your kindness, without your sarcasm. Without good or bad. Now, I’ll won’t hear your judgments'.

You’re not there anymore.

How will be this place now?

I never could imagine a reality that you weren’t here. The possibility… Devastating.

There, there went the tornado. I can see now, in his center… Far away from me.

There it goes. Pieces of my house. My window’s cracks. Even without the sun… Why do I see their glow?

No pictures.

I’m happy for losing them… The tornado took them away. This way, you won’t be trapped here. Please, say you don’t.

fea60daaa2b3fffdd9d5765cba60a3e0_fullI can’t let go.

Maybe, without those freezed moments…

I want to let go.

This world is cold.

Today, I woke up in a world where I’m not free anymore. A strange and dangerous place where I don’t have a home and I don’t feel safe. A place without hope in a better future.

This day, I left my sweet dreams, and step up in a nightmare. This day was the first day when I didn’t had your hand to hold mine.

The first day after the yesterday who took you away from me.

 

Imagens: Alexander Jannson

Embriaguez

 

 

 

Contemplei o absinto que me servistes. O líquido verde captou minha atenção desde o primeiro momento.
Adorarás, falastes-me com tua deliciosa voz grave.
Deleite.
O líquido verde, a voz, teus movimentos. Não precisava de nada além de teu perfume para embriagar-me daquele modo. Misterioso homem que atormenta meus pensamentos.
Brancos fios. Não entendia o poder que possuíam sobre si. Fascinantes movimentos.Dedos longos, finos. Olhos castanhos e frios a fitavam. Seu corpo estava embriagado.
Dona de tantas palavras, tantas frases... Estás muda agora. Apenas ouvia a voz, as palavras, não compreendia. O que havia naquela bebida? Fascinava-se por cada sílaba, cada movimento labial. Mesmo incapaz de compreende-las, as palavras ditas em sua língua materna.
A força do olhar. Contemplava a taça. O líquido verde quase intocado. Não sabia como falar. Esquecera-se. Dentro da biblioteca dele, esquecera-se. Quem era, o que ali fazia. Sobrenatural fascínio. Mal sentia suas pernas...
Ouve uma batida na porta. O mais jovem, impaciente.. Quer saber, a que horas o jantar estaria pronto...
Compreendo as palavras dele. A mística é quebrada por sua voz impaciente e seus trejeitos nervosos. Porém, a voz dele, possui controle sobre mim. Entretinha uma convidada. Aquele não era momento das crianças interromperem a seus ascendentes... Jantares são servidos quando devem, e não na hora em que são impostos. E sorriu.
Fechei meus olhos. Foram segundos. Não foram?
Sonho? Desdenho a possibilidade. Era ilógico. Tudo sonho?
Ouço som em minha janela.
Apenas o vento...
Sonho, apenas...